sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Luiz Menezes

Natural de Quarai, onde residiu até seus últimos dias de vida, após ter vivido a maior parte de sua vida em Porto Alegre.
Poeta, com 3 livros publicados: TROPA AMARGA – ALÉM DO HORIZONTE e CHÃO BATIDO.
Iniciou sua carreira no rádio em 1952. Convidado pelo Poeta Lauro Rodrigues, para fazer parte do Programa “Campereadas” do grande poeta gauchesco, programa este apresentado na Rádio Gaúcha. Logo na mesma emissora passou a produzir e apresentar inúmeros programas, onde cantava, fazia músicas e se acompanhava ao violão. E muitas vezes participava das peça que escrevia para o rádio teatro.
Em l954 fez sua canção “Piazito Carreteiro”, música de grande repercussão na época, pois trazia uma nova maneira para interpretar a música regional gauchesca. Mais tarde essa canção foi gravada pelos conjuntos OS GAÚCHOS e também o VOCAL FARROUPILHA. Esses dois conjuntos fizeram com que o “Piazito”, fosse gravado na França, no Japão e na Rússia, quando lá estiveram.
Em 1956, ganhou o prêmio de melhor compositor, em concurso realizado pela Zero Hora.
Em 1957, indicado por Darcy Fagundes, com quem formaria a mais famosa dupla de apresentadores. Foi contratado pela Rádio Farroupilha, para que juntos apresentassem o GRANDE RODEIO CORINGA, trabalharam 15 anos juntos.
Luiz Menezes apresentou juntamente com Darcy, o primeiro programa gauchesco de Televisão na antiga TV Piratini. O programa chamava-se “Querência”.
Em 1967, a sua música mais famosa “Piazito Carreteiro foi escolhida para fazer parte de uma coletânea de músicas de autores brasileiros, na França, no LP “Bresil”. O Direito autoral desse disco, foi para os órgãos da II Grande Guerra. O “Piazito” foi representando o Rio Grande do Sul.
Em 1968, gravou, juntamente com Darcy, seu primeiro LP: TROPA AMARGA, onde Luiz cantava e Luiz declamava.
Quase todos os conjuntos e cantores do Rio Grande e alguns de outros estados, gravaram músicas de Luiz Menezes, com destaque para “Última Lembrança” que já recebeu sua 42ª gravação com diferentes cantores e conjuntos.
Trabalhou nas seguintes rádios e televisões de Porto Alegre:
Rádio Gaúcha, onde iniciou, Rádio Farroupilha, Rádio Difusora e nas Televisões: Piratini e Bandeirante, com várias participações na TV Gaúcha.
Gravou 4 LP’s e 1 CD, participando de vários outros.
Como Jornalista, escreveu para o Jornal “A Hora” e para o “Diário de Notícias”, onde foi articulista.
Orgulha-se de ter introduzido no repertório gauchesco, o ritmo de miloinga, com letra em Português. Hoje a milonga faz parte do cancioneiro popular regionalista do Rio Grande do Sul. A primeira milonga gravada é de Luiz Menezes e intitula-se: “Milonga de Contrabando””. Depois recebeu outras gravações de diferentes cantores. No ano de 1997 recebeu da Rádio São Miguel, de Uruguaiana uma placa alusiva ao fato.
Paralelas a estas atividades no rádio e na televisão. Luiz Menezes foi por trêz vezes, presidente do Conselho Regional da Ordem dos Musicos do Brasil. É sócio honorário da SBACEM.
Recebeu inúmeros prêmios por serviços prestados a cultura gaúcha, criando e apoiando alguns festivais tais como.
Califórnia da Canção Nativa – Uruguaiana
Tertúlia da Canção – Sanmta Maria
Festival da Lagoa – São Lourenço
Festival Teuto-Riograndense – Taquara
Festival de Triunfo – Triunfo
Salamanca da Canção – Quarai
Canto Alegretense – Alegrete
Moenda da Canção – Santo Antônio da Patrulha.
Da Câmara de Vereadores de Rio Pardo recebeu a Comenda “Glaucus Saraiva” (em setembro de 1997)
Da cidade de Guaíba, do governo municipal, ganhou a “Medalha de Ouro” por trabalhos prestados aquela comunidade.
Ainda recebeu o prêmio “Guri”, instituído pela Rádio Gaúcha de Porto Alegre, que lhe foi entregue na Casa da RBS, na Expointer. Este prêmio é “Em Memória” a Cezar Passarinho, já falecido.
Como funcionário público do Departamento de Divisões Públicas do Estado, aposentou-se como Diretor.
Aposentado, voltou para sua terra natal, como diz, para envelhecer. E foi nessa ocasião convidado para Secretário Municipal de Cultura e Turismo.
Atualmente, pai de oito filhos, sendo sete do primeiro casamento e um do segundo, pois sendo viúvo voltou a casar. Em Quarai escreve para o Jornal “Folha de Quarai”, uma crônica semanal e apresenta esta mesma crônica na Rádio Quarai.
Este é Luiz Menezes. 47 anos em função da arte e da cultura nativa do Rio Grande do Sul, por isso repete:
Quando a Cruz – ponto final da vida
Me abrir os braços num sinistro afago
Deus dê-me a glória da figueira erguida:
Quero Sestear à sombra do meu pago.

A poesia de Luiz Menezes tem muito de sua linhagem humanística que permite ao leitor viver suas histórias e encontrar seus personagens em todos os caminhos do cotidiano. Sua produção poética: "TROPA AMARGA", 1968 - "ALÉM DO HORIZONTE", 1986 - "CHÃO BATIDO" 1995 - "50 ANOS DA POESIA"-Antologia poética, 2005. É, também, uma análise sociológica do homem riograndense no seu habitat preferido. Nas obras desse poeta, o gaúcho está presente com suas lendas e crendices, com sua bravura e hospitalidade, sobretudo com seus sentimentos e emoções que o escritor emoldura com imagens bonitas dentro de um vocabulário próprio que identifica e diferencia esse habitante do Rio Grande do Sul.

Luiz Menezes foi um romântico enamorado pelo mundo, escrevia com propriedade em forma de versos as coisas do cotidiano que tocavam seu coração. Cantou ternura, enalteceu e reverenciou a mulher, sublimou o amor e a saudade em seus versos, através de uma poesia telúrica que o singularizou como poeta ancorado nos valores essenciais de sua querência, conservando a essência da autenticidade do palco ambiente, onde suas histórias aconteciam.

Luiz Menezes é, sem favor, um dos mais premiados e festejados artistas de nossa terra que inclusive foi agraciado pelo governo do estado do Rio Grande do Sul com a comenda "Negrinho do Pastoreio". Carinhosamente chamado de POETA MAIOR, recebeu a homenagem do povo de sua terra tendo um de seus belos versos colocado no pedestal do Pavilhão Nacional do Portal que demarca Quaraí como uma cidade fronteiriça.

Esse ícone da cultura riograndense que escreveu com amor para sua terra natal: "Todos os caminhos são atalhos para Quaraí. No dia 12 de Outubro 2005, fez o seu último atalho trilhando o caminho para além do horizonte, deixando saudades aos leitores que sentem sua partida sem sentir sua ausência, porque Luiz Menezes estará sempre presente na música, na poesia e em nossa última lembrança.ATALHOS

Boleio a perna de distantes plagas
Por onde andei desde que fui daqui,
Cantei amor em luas diferentes ...
Volto mais velho, velho Quaraí.

Trago emanado em minha garupa
Troféus e penas - palmas que colhi
Buscando a paz em noites de silêncio,
Volto rondando os céus do Quaraí.

Quero de novo rever velhas ruas
Onde entre versos e violões cresci,
Piazinho magro que tinha seu mundo
No céu profundo do seu Quaraí.

E vim disposto a conversar contigo
Contar-te estórias que longe aprendi,
Puxar a viola e derramar saudade ...
Sou teu cantor, meu velho Quaraí.

Dizer que fico, isso não garanto ...
Sou estradeiro como um guarani.
Seduz-me o longe, o desconhecido
Sou tapejara, velho Quaraí.

Porém se a sorte me tocar de volta
Para as estradas por onde vivi,
Fica a certeza: todos os meus caminhos
Serão atalhos para o Quaraí...

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Fontes: Expressa - A Nova Antologia da Poesia Quaraiense, org. Galdino Barreto, 2006
Foto: Associação Cultural Sesmaria, set/1998.

Um comentário:

  1. sempre gostei de ouvir luiz menezes mas nao conhecia a sua tragetória ,muito lindo o seu trabalho para divulgar o nosso rio grande.

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